Entretanto foi assim que aconteceu

Quando a notícia é só o começo de uma boa história CHRISTIAN CARVALHO CRUZ

Paris pra cabra macho

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Nada mau começar um tour chamado “Paris para Homens” sendo… bem… um homem de sorte. A mocinha do check-in fez a gentileza de não me espremer demais na fileira tripla logo atrás da asa direita do Boeing 777-300. Tripulação, portas em automático, nenhum vizinho à vista. Nas onze horas que tenho pela frente poderei — de maneira um tanto contorcionista, vá lá — me esparramar pelos assentos e desfrutar da classe econômica da Air France com o mínimo de dignidade. Resolvo até não reclamar do vinho de segunda servido no jantar, sou um homem que se contenta com pouco. Bora.

De minha parte, eu jamais tinha imaginado que as cidades pudessem ter preferência sexual. Amsterdã é macho ou fêmea? São Francisco? Roma não me parece nem homem nem mulher. É somente gorda. Carapicuíba é o que? Violenta. Belém? Suada. Mas não faz muita diferença o gênero, faz? Bom, três informações das autoridades de turismo de Paris me tiram da escuridão: o best-seller mundial A parisiense, da ex-modelo e socialite Ines de la Fressange, que ensina as garotas a ter o estilo das locais, levantou uma questão séria por lá: seria Paris uma cidade demasiado feminina? Do lado de cá, 78% das brasileiras apontam a capital francesa como O destino dos sonhos. Só que 45% dos 29 milhões de visitantes anuais são homens de negócios — e eles precisam saber o que fazer entre uma reunião e outra.

Aí entro eu, para realizar um árduo test drive da tal Paris para homens. Inferninhos em Pigalle, casas de ópio em Montmartre, churrasco grego très gorduroso no Quartier Latin… É claro que a programação não inclui nada disso. Mas eu finjo que sim enquanto ajusto o entretenimento de bordo para executar a playlist macha que me embalará o sono. Jacques Brel. Leonard Cohen. Serge Gainsbourg. Pra terminar, Carla Bruni à luz do desjejum. Paris, sou um homem pronto pra você.

Tão pronto que me sinto em casa no caminho do aeroporto ao hotel. O trânsito está um inferno. Há muito mais carros do que quando estive aqui pela última vez, há cinco ou seis anos. E eu conheço essas caras presas atrás do volante, entediadas logo cedo. São caricaturas de homens paulistanos. De modo que, se você for um homem esperto, vá de trem até o centro. A mala? Cabra, tu és homem ou um saco de batatas?

Me dou conta de que é final de outono quando a van finalmente adentra a ChampsÉlysées, paradeiro do hotel Marriot, onde ficarei pelos próximos quatro dias, numa suíte que me espera com champanhe no gelo, docinhos, um bom estoque de armagnac no frigobar e uma cama enorme com seis travesseiros. Grandes folhas amarelas dos plátanos forram a calçada, um vento frio me açoita as orelhas e a visão do Arco do Triunfo, onde uma vez subi na companhia de uma mulher especial, me acalora a alma. Ok, sou um homem sensível…

Muito trabalho me aguarda, porém. Para ser sincero, terminei esses quatro dias sem saber se existe uma Paris para homens. O que é ótimo. Paris é Paris, basta. E como não acredito que sejamos todos iguais dentro da divisão de gêneros, simplesmente homens ou simplesmente mulheres, fiz este pequeno guia separando os marmanjos em categorias. Veja se você se encaixa em alguma. Quanto a mim? Bem, que me perdoe madame La Fressange — nada pessoal, é só gosto literário — mas eu prefiro a Paris de Hemingway, que, em toda a sua rusticidade máscula, um dia escreveu: “Se você tiver sorte o suficiente para viver em Paris como um homem jovem, então aonde quer que vá, pelo resto da vida ela estará com você, porque Paris é uma festa móvel”.

PARIS PARA O HOMEM QUE VÊ

Erguida entre 1960 e 1972, sob muita vaia, a Torre Montparnasse é tida pelos parisienses como o edifício mais feio do mundo. Não tanto pelo formato (tem coisa pior na Berrini…). Pela localização. Ela fica simplesmente monstruosa naquele entorno de construções baixas e elegantes que toda cidade de bom caráter deveria ter. A guia me conduz ao terraço do 56º andar, o último, e diz: “As pessoas sempre sobem a Torre Eiffel para olhar Paris de cima, só que daqui a vista é melhor, pois se vê justamente a torre.” Um bom argumento, embora fácil de derrubar: a visão do alto da catedral de Notre Dame não é tão abrangente, porém deveras mais charmosa — e tem gárgulas! Então, quando a moça se regozija de aquele ser mais rápido elevador da Europa (“vai do térreo ao 56º em 37 segundos”), eu só me sinto o homem errado no passeio errado. A visita custa 13 euros e o tíquete dá direito a uma fotomontagem minha com Paris ao fundo. Procure ir num dia de sol e, uma vez lá em cima, cave uma brecha entre a multidão de chineses para dar uma espiadela além do vidro. Mapas interativos ajudam a localizar os principais pontos da cidade. À esquerda, passando o café, há umas TVs instaladas no piso onde se pode brincar de homem suicida: pule sobre as telas e acione um filmete que simula a sua queda livre, leve e solta até se estatelar na rua. É mais rápido do que o elevador.

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Ao rés do chão — na verdade, das águas do Sena — se encontram os Bateaux Parisiens, os barcos-restaurantes que fazem minicruzeiros pelo rio e se tornaram o must dos brasileiros no Réveillon. Funcionam como os aviões: quanto mais homem de dinheiro você for, mais conforto terá. A mim foi oferecido o módulo “pé na jaca”, que consiste em ocupar a mesa redonda situada na proa, vista panorâmica, e comer e beber até estourar: champanhe, entradas, primeiro prato, segundo, queijos, vinho, café, sobremesa… A empresa se orgulha de ser dona também do Le Jules Verne, o restaurante da Torre Eiffel comandado por Alain Ducasse e onde se saboreia um menu degustação a 210 euros por cabeça. Sem o vinho. Cá embaixo, no entanto, deslizando preguiçosamente pelo Sena, não é exatamente a gastronomia de bordo que me impressiona. O passeio-rango de 89 euros (há opções sem comida a 12 euros) oferece ângulos bacanas de pontes famosas como a Neuf de Juliette Binoche, a dourada Alexandre III e de edifícios históricos. Les Invalides, Museu d’Orsay, Hotel de Ville, Louvre, Gran Palais… Talvez o percurso de duas horas seja longo demais, percepção agravada pela sensação de que Paris vai passando diante dos meus olhos sem que eu possa de fato estar nela. Tudo bem se você for um homem afeito a esse tipo de coisa, mas vou logo avisando: quando o barco fizer o retorno na Estátua da Liberdade (sim, Paris tem três; esta, de 11 metros de altura, fica na ponta da Île aux Cygnes), um cantor surgirá e virá à sua mesa — com microfone — cantar New York, New York.

Do ponto final do bateau ao complexo de Roland Garros são apenas quatro quilômetros, a oeste. Eis aí um passeio para homem nenhum botar defeito. Ok, um homem ranzinza perguntará qual a graça de conhecer o local fora dos dias do Aberto da França, quando aquilo fica vazio como um cemitério. Várias graças. A maior, talvez, a de poder entrar nos vestiários dos atletas, com seus armários de madeira escura, iluminação indireta, atmosfera de closet. O do heptacampeão Rafael Nadal, por exemplo, fica à direita, número 159. Não é propriamente dele, as portas não têm nome. É que o espanhol, por superstição, gosta de usar sempre aquele — e aí quem vai contrariar o rei do saibro, que este ano desbancou o grande Björn Borg do topo do Olimpo? No feminino, o armário da alemã Steffi Graf (seis títulos nos anos 1980/90) virou um tipo de altar. Quando ela se aposentou, a Federação Francesa de Tênis lhe deu a porta original de presente. Outra foi instalada, mas ninguém guarda mais nada lá. Há tenistas que rezam ali na frente antes do jogo, e os números gastos sugerem que muitas passam a mão na plaquinha 19 como se fosse água benta.

Dos vestiários, você sobe à quadra principal pela escada de paredes salpicadas com autógrafos dos campeões. E sabendo que você é um homem brasileiro, a guia lhe ajudará a localizar as assinaturas de Gustavo Kuerten. Então abra a porta pesada de metal e… entre na quadra. O sistema de som cria um clima emitindo apupos da plateia e anunciando você, mero homem turista, como um Nadal, um Federer, um Jokovic… Já sei o que você pensou, homem das cavernas. Mas pode enfiar a raquete de volta no saco: nem mediante suborno eles vão soltar gravações dos gritinhos orgásticos da Sharapova. Esqueça. Contente-se com a visita guiada completa (15,50 euros, agende com antecedência), que também dá acesso ao museu. Há alguma memorabilia da competição, incluindo uniformes históricos, raquetes e a taça original. A que os vencedores levam para casa é réplica.

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PARIS PARA O HOMEM QUE SE VÊ

A meia hora do Louvre, já fora da cidade, fica o La Vallée Village, um lugar que certos homens saudosos, chorosos até, chamariam de Daslu a céu aberto. Um grande outlet de marcas de luxo que em 2011 recebeu 5,8 milhões de visitantes. Os brasileiros (65% brasileiras, para ser preciso) são os terceiros no ranking, atrás dos chineses e dos russos, me conta Bernard Kouao, gerente de turismo do lugar, enquanto nos deslocamos pra lá a bordo de um ônibus que certos homens chamam de shuttle. O transporte passa nos hotéis recolhendo os interessados e custa 23 euros ida e volta. Um homem sovina preferiria gastar metade disso para ir de metrô e trem, mas, sorri Bernard, “voltaria carregando sozinho aquele monte de sacolas”. As 120 lojas ocupam uma área plana com jeitão de cidade cenográfica e vendem roupas e calçados de coleções antigas. Para estarem ali, elas são obrigadas a dar no mínimo 33% de desconto. Na média, dão 42%. E o bilhete do tal shuttle garante outros 10%. Ralph Lauren, Dolce & Gabbana, Burbery, Michael Kors, Hugo Boss, Armani, quase todas estão lá. Difícil sair de mãos abanando, embora o homem repórter aqui só tenha conseguido trazer uma camisa Lacoste de 49 euros. Ah, também deu pra tomar um sorvete de straciatella con pistachio no quiosque da Amorino (isso sim digno de saudade…) e tirar o atraso do wi-fi grátis — coisa estranhamente rara em Paris.

Agora, se você é do tipo de homem que tem dificuldade de se vestir sozinho seu destino são as famosas Galeries Lafayette. Na cobertura, eles oferecem um serviço mui exclusivo chamado La Suite: um apartamentaço de 400 m², fresco, bem iluminado, com biblioteca, obras de arte, cozinha e uma varanda voltada para a Basílica de Sacre Couer. Ali, em sessões de uma hora a um dia inteiro, na maior privacidade, um(a) personal stylist fará tudo o que você pedir. Em termos de moda, ô! Desde uma consultoria ligeira para adequar o look para uma reunião importante até a troca completa do guarda-roupa. Nesse caso, o(a) profissional lhe fará umas perguntas prévias e eventualmente pedirá para olhar o que você trouxe na mala, a fim de conhecer melhor suas grifes prediletas, seu way of life. Há brasileiros usando o serviço para decorar os apês comprados na cidade. Duas horas custam 250 euros, incluindo o delivery das compras no hotel. Atende mulheres também, claro.

Uma vez na estica (ok, “na estica” é pra homens dos anos 70…), talvez você queira dar um pulo na barbearia do Alain, escondida numa ruela do Marrais desde 1935. Abra a porta de vidro e se embriague com o aroma de loção pós-barba. Uma coleção de navalhas, pincéis, armários de madeira e três cadeiras antigas remetem aos salões de bairro do passado. É o último nesse estilo em Paris. Aqui você pode não só cortar e aparar barba, cabelo e bigode à antiga (toalha quente, hum…) como aprender a cuidar bem de cada tipo de pelo. O Alain, um papo agradável como se espera de um bom coiffeur, vai ter prazer de contar como formatou o bigode do ator Jean Dujardin (O Artista), um dos clientes famosos, enquanto lhe dá um trato na barba por 32 euros. Mas ele só atende com hora marcada. E como a agenda está sempre cheia por pelo menos 15 dias, convém reservar do Brasil. Não, não tem revista de mulher pelada.

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PARIS PARA O HOMEM QUE COME (E BEBE)

Numa cidade com tantas opções para comer (e bem) fora, é admirável que 60% da clientela do Pinxo sejam hóspedes do hotel onde ele está instalado, o Renaissance Paris Vendôme. Isso quer dizer que a comida é boa, antes de mais nada. Culinária basca com toques asiáticos, nada esnobe e preparada com ingredientes da estação pelo chef Alain Dutournier, duas estrelas no Guia Michelin. Mas pode querer dizer também que os preços não são um assalto. Por 70 euros (uma camisa e meia da Lacoste, veja só) você, homem gourmand ou glutão, sairá de lá querendo voltar — durante a mesma estada em Paris, vai por mim. E ainda pode querer dizer que, por se tratar de um hotel butique discreto e queridinho do pessoal fashion que lota a cidade nas semanas de moda, não é difícil encontrar uma top model na mesa ao lado. Eu não dei essa sorte. Só vi o futebolista Bixente Lizarazu, lateral-esquerdo da seleção francesa na Copa de 98, aquela que o Zidane acabou com a gente. Apesar disso, fui um homem feliz com garfo e faca nas mãos. Os tartines de presunto curado com tomate e azeite estavam leves, memoráveis. O salmão marinado com ovas de arenque e erva-doce, uma seda. E os camarões com arroz de coco e curry verde… Ai que vida chata…

Mas você, homem insaciável das coisas boas da vida, quer sempre mais. Então se dirija aos arredores da Sorbonne, no Quartier Latin. Numa ruazinha aprazível, de frente para a Bibliothèque Sainte-Barbe, está o De Vinis Illustribus. No local há muito, muito tempo funciona uma loja de vinhos. Era onde Hemingway se abastecia. Chegou a ser a principal negócio do ramo na Paris dos 60. Em 1994, Lionel Michelin, um ex-executivo do setor de telecomunicações, o transformou em algo mais especializado. Ele garimpa vinhos raros, de safras antigas. Roda a França em busca de viúvas que topem vender a tão querida adega do falecido, agora sem serventia. Ou de garrafas esquecidas em fundos de porões. E então põe as preciosidades à venda. Na clientela, sommeliers de restaurantes famosos e novos ricos em geral – sobretudo russos e asiáticos – querendo se sentir gente diferenciada. “Um dia entrou um japonês querendo um Château Mouton Rothschild 1945/First Cru Classé of Pauillac, porque era o ano de nascimento dele. Consegui uma garrafa: 6.000 euros na época; hoje vale 10 mil”, dá o tom o Lionel. No meu ano, 1974, ele disse com pesar que não houve safra digna de lembrança em qualquer região da França. Eu já desconfiava…

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Mas você não precisa ter a conta bancária daquele japonês para provar os vinhos. Pode descer à adega com fundações de 1636 e mergulhar numa degustação inesquecível. Lionel me ofereceu o Tour de France dos Vinhedos, que custa 105 euros. Foram quatro tipos de vinho: um Pouilly Fuissé 2001 (Borgonha) com queijo comté; um Château La Horse 2005 (Bordeaux) com presunto, salame e terrine de foie gras; um Châteauneuf du Pape Ménétrier 1978 (Rhône) com torta de cogumelos e brotos de alface; e, terminando, um Banyuls Coume del Mas 2007 (vinho doce fortificado de Roussillon) com gorgonzola e macarons de chocolate e café. Me perdoem, mas eu acho que não consigo descrever o quão bom foi aquilo. Lionel normalmente não participa das degustações, mas se eu fosse você, insistiria para que ele se sentasse à mesa também. Tudo fica ainda melhor com as informações, as histórias, a paixão dele pelo Santos do Pelé. É um devoto da causa, diligente e sem uma gota do pedantismo dos homens que tratam vinho por “néctar dos deuses” (ui!). Antes de me despedir e cambalear escada acima perguntei qual o melhor vinho que existe. “O próximo”, Lionel respondeu de bate-pronto. Passeio perfeito para um final de tarde ensolarado depois de uma visita à Notre Dame, que fica a nem dez minutos de caminhada.


PARIS PARA O HOMEM QUE PRESENTEIA

Trazer de Paris um autêntico perfume francês (“Comprou no freeshop, amor?”) pode soar tão batido quanto ver a Monalisa no Louvre… Mas e se você fizer um perfume francês com as próprias mãos? A Fragonard, uma fábrica originária de Grasse, Na Cote D’Azur, cuja história remonta aos anos 20, ministra oficinas a perfumistas de primeira viagem. Elas acontecem na concorrida loja da marca perto das Galeries Lafayette, instalada numa mansão de 1860 e onde há um museu com bela coleção de frascos de perfumes de 2.000 anos. O curso custa 95 euros, podendo cair a 60 euros para grupos de 10 a 21 pessoas. Não é trabalho para homens incompassíveis. A mistura de essências traz à tona sensações e saudades inesperadas. No fim, você engarrafa a dá nome à sua criação. Cuidado. No meu “Paris 2012” acho que exagerei na bergamota…

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Nesse mesmo dia, à tarde, que tal um giro por Saint-Germain-des-Prés, o bairro do jazz e das letras nos anos 50 e 60? É verdade que muitos dos bares musicais se foram, livrarias viraram butiques… Mas como dizem os parisienses, se tudo está diferente, nada realmente mudou no pedaço da cidade onde viveram Danton, Marat, Diderot, Rimbaud, Duras, Gainsbourg… onde beberam Fitzgerald, Joyce, Hemingway, Sartre, Beauvoir… onde tocaram Miles, Ellington e Parker… Você pode simplesmente sentar no Café de Flore, quem saber no Les Deux Magots, e ver a agitação da rua. Ou, se for um homem, digamos, aberto a novas experiências, contratar um passeio a pé da agência Robert Pink para percorrer lojas de chocolate e galerias de arte. A mistura é boa. Custa 80 euros por pessoa (60, para grupos de mais de 5), degustações inclusas, e dura três horas. Passa pela casa Pierre Hermé, antiga dinastia de confeiteiros da Alsácia, chamados de “os Picassos dos Doces”, pela Pierre Marcolini, com seus bombons apimentados, La Pistacherie (delícias à base de pistache) e a Grom, o novo melhor sorvete de Paris, entre outras. A guia Marion Prouteau, fundadora e única funcionária da agência, é uma historiadora da arte com uma queda por arte contemporânea. Mas eu relevei isso quando ela me encaminhou ao Un Dimanche à Paris, misto de salão de chá, restaurante, escola de pâtisserie, e insistiu para que eu provasse o chocolate quente do lugar. A moça sabe das coisas.

PARIS PARA O HOMEM QUE ESTÁ EM OUTRA

Paris tem 140 museus. Um homem sensato não deveria trocar nenhum deles por 30 minutos de pilotagem num simulador de vôo, deveria? Bem, existe homem pra tudo… E pagando 169 euros se pode gastar um tempo nisso com o pessoal da Flight Experience, uma empresa neozelandesa que opera na capital francesa o único negócio do tipo na Europa. Escolha entre 24 mil aeroportos do mundo, as condições meteorológicas, se quer voar de dia ou de noite, vista o quepe de comandante e sinta “em alta fidelidade” como é segurar um Boeing 737 no braço. Um DVD do seu vôo custa 20 euros extras. Uma foto dentro da cabine, mais 20. É legal? Muito. Se você for um homem de 8 anos de idade. Aos mais crescidinhos, recomendo, a título de alternativa, alugar uma Vespa na 2 Wheel Tours e dar uma escapada de um dia até Versailles: 299 euros para motorista e garupa.

Na volta, se não for um homem esgotado, você talvez queira ir ao Lido. Ou não. O cabaré parisiense pega-turista, com sua fachada de luzinhas piscantes, fica na Champs-Elysées, lado direito de quem sobe. Não sei quanto a você, mas tenho certa implicância com estabelecimentos comerciais querem me dizer como devo me vestir. O Lido não aceita jeans ou tênis. Não se incomoda, porém, de cobrar 175 euros por pessoa num show-jantar recheado de clichês. Veludos vermelhos, crooner loira com vestido preto de fenda até a cintura, lustres de cristais, músicos com paletó prateado… Então as cortinas se abrem e a profusão de peitinhos saltitantes e peitorais esculpidos espanta um pouco a sonolência. Jesus Cristo, sou um homem em Las Vegas! Papo reto: atravesse a rua em direção ao prédio envidraçado de arquitetura retorcida da Publicis Drugstore. Há cinemas, restaurante, loja de bebidas finas e uma boa livraria de arte. Mas é por outro motivo que você está ali. Depois de um papo com monsieur Yves Pihan, responsável pela cave de charutos e uma espécie de personal tobacco shopper, volte à calçada e acenda o cubano que ele recomendar. Antes, um gole na garrafinha de armagnac trazida do hotel. Pronto para flanar? Você é um homem em Paris.

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O repórter viajou a convite da ATOUT FRANCE, a agência de desenvolvimento turístico da França

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Publicado às 8 de fevereiro de 2013 por em reportagem e marcado , , , .
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